Tecidos biodegradáveis: descubra mais sobre algodão, linho, lã e seda

Por: Ana Paula Porto

Costumamos vestir e trocar peças de vestuário todos os dias e, geralmente, é bem difícil nos darmos conta sobre suas origens e composições, não é assim? A não ser que vejamos a etiqueta da peça – caso ela ainda exista, porque convenhamos pode incomodar um pouco na vestimenta – ou quando bate aquela dúvida sobre determinados usos de produtos ou formas de lavagem. 

Mas, e quando nossa reflexão vai além e pensamos nas matérias-primas utilizadas nas nossas roupas? Afinal, este pode ser o primeiro passo para entendermos as procedências de tudo aquilo que vestimos diariamente e, claro, de tudo que é diretamente afetado com nossas escolhas. 

Como primeira definição e para responder à pergunta que leva o título desta postagem, os tecidos das nossas roupas são divididos entre biodegradáveis e não biodegradáveis. O que significa que, enquanto os primeiros se decompõem após o descarte e se tornam adubo natural no solo, os segundos ainda permanecem existentes por muito tempo, sem a decomposição. 

Didaticamente, conforme o estudo da comunicadora socioambiental Giovanna Nader, “o processo de biodegradação no meio ambiente ocorre quando há a transformação química e ação de microrganismos no solo, que dependem de temperatura, umidade, luz, oxigênio e nutrientes”.  

Além disso, a biodegradação pode ser aeróbica (com oxigênio) ou anaeróbica (sem oxigênio). Existem ainda diferenciações entre as fibras em questão, pois existem as naturais, sintéticas ou aquelas que possuem microplásticos – partículas que, infelizmente, vão parar nos oceanos. 

SOLUÇÕES COM A MODA CONSCIENTE 

De acordo com a análise feita pela Textile Exchange, divulgada pelo Fashion Revolution Brasil, “em 2018, a produção mundial de fibras foi de aproximadamente 107 milhões de toneladas, com destaque para a produção de fibras sintéticas (62,3%), seguido pelas fibras naturais (31,5%) e artificiais (6,2%)”. 

Entender todo este processo que ocorre após o descarte de uma peça de roupa é fundamental para materializarmos os impactos causados pela indústria têxtil e também analisarmos as etapas seguintes ao descarte, que podem levar anos e anos. 

Por este motivo (e vários outros), a circularidade e o consumo de roupas de segunda mão são alternativas factíveis para que os ciclos de vida das peças sejam prolongados e que estes lixos têxteis sejam diminuídos, mesmo que a passos lentos. 

A seguir, contamos mais sobre os principais tecidos biodegradáveis e como você pode usufruir destas peças para multiplicar suas composições e ainda fazer o bem para o planeta. Veja: 

Ainda segundo o portal do Fashion Revolution Brasil e a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA), “de todo o algodão produzido no mundo, 60% são destinados à fabricação de roupas e é a fibra natural mais consumida no mundo”. O que é muita coisa! 

Por isso, uma boa solução é reutilizar peças já existentes no mundo e reaproveitá-las em diferentes estações do ano, como é o caso dos itens de algodão. 

Pela maciez do material e conforto que é para todos, as roupas feitas de algodão são indicadas desde bebês à adultos, incluindo pessoas que possuem peles mais sensíveis. Além disso, é perfeita para diversas ocasiões que vão desde às formais, com camisas, até os looks casuais com camisetas. 

O linho, feito com fibras do talo de plantas herbáceas e um dos tecidos mais antigos do mundo, alia frescor, versatilidade e durabilidade em uma mesma peça. Além disso, segundo Nader, seu cultivo requer uma quantidade 20 vezes menor de uso de água do que o algodão, por exemplo. 

Com diversas possibilidades e ocasiões, você pode construir combinações clássicas ou despojadas com essas peças que levam a sustentabilidade como sobrenome, já que são naturais e podem fazer parte do seu guarda-roupa (ou das próximas pessoas as utilizarem) por muito tempo, independente da estação do ano. 

Derivada do pelo da ovelha, a lã é a composição natural para os fios de lã, usados em blusas, coletes e peças mais encorpadas – e quentinhas. Uma questão necessária de se fazer sobre este tecido é que, mesmo sendo biodegradável por ser de origem animal, é importante observar como as indústrias e marcas vêm retirando esta matéria-prima e se estão atuando de forma legislada com os animais. 

De todo modo, com uma peça já existente, nosso papel como sociedade é prolongar ao máximo seu tempo de vida. Por isso, nossa recomendação é investir em itens certeiros e que possam combinar com calças, saias e também sobreposições, pois ajudam (e muito) o aquecimento do corpo. 

A seda tem origem antiga, e é datada há mais de 5 mil anos na China, de acordo com Nader. A mais conhecida é proveniente do popularmente conhecido como bicho-de-seda, que tece a partir de água e proteínas, de uma forma totalmente orgânica e sem a necessidade de uso de pesticidas. 

O tecido de seda é elegante por si só e possui toque suave, leve e fino. Para os dias, peças únicas, como os vestidos, vão muito bem e são fáceis de combinar com linho ou jeans. Para noites de meia-estação, lenços e vestidos longos são opções bem utilizadas e chiques! 

REUTILIZE MAIS: 

Antes de finalizarmos, algo importante a ser mencionado é que, mesmo diante de peças de roupas que sofrem decomposição natural no solo, como ocorrem com os tecidos biodegradáveis, devemos levar em consideração que todo processo leva um tempo – que pode ser de meses ou anos. E ainda dependem de diversos fatores externos para que isso aconteça da forma adequada. 

Em razão disso, para que os impactos sejam cada vez mais reduzidos no meio ambiente, reutilizar as peças ou colocá-las de novo para uso de outras pessoas continuam sendo formas eficazes em combate ao descarte excessivo. 

Pesquise, pergunte, recicle, reuse ou repasse. O importante é lembrarmos que vestimos o que queremos transmitir ao mundo e temos o poder desta mudança. Vamos nessa? 

PARA SE APROFUNDAR: 

Conheça e descubra mais sobre a etiqueta de composição de suas peças nesta cartilha disponibilizada pela INMETRO

Veja mais sobre as certificações: 

Fontes de pesquisa: 

Moda Sustentável e Consumo Consciente de Giovanna Nader; Fashion Revolution Brasil.

*Pesquisa e texto construídos em conjunto com a equipe de moda & sustentabilidade do Repassa.*

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