Como identificar se uma peça de grife é original: guia completo para não errar

Como identificar se uma peça de grife é original: guia completo para não errar

Toda pessoa apaixonada por moda tem um momento na vida em que o olhar muda: Você ainda gosta de tendências, acompanha lançamentos, salva referências no Instagram, mas começa a prestar atenção nos detalhes – caimento, tecido, acabamento, costura.

É quando aquela diferença invisível para a maior parte das pessoas se torna o que difere uma camisa de “boa” para “maravilhosa”! É também nesse processo que encontramos o desejo de buscar por peças de grife – impulsionado pela busca da costura alinhada, tecidos premium, caimentos e acabamentos impecáveis.

A resposta não está em um truque rápido nem em uma fórmula mágica. Ela passa por repertório, observação e, principalmente, por entender que moda de grife vai muito além do logo. Grife é linguagem estética, construção de estilo e coerência ao longo do tempo! Quando tudo isso começa a fazer sentido, o “luxo” deixa de ser um capricho e se torna um investimento,

E é exatamente nesse momento que o mercado second hand entra na conversa: porque peças de grife não nascem para ser descartadas. Elas são feitas para durar, circular, viver novas aventuras. Encontrar uma jaqueta bem construída, um blazer com corte perfeito ou um vestido com tecido maravilhoso em um brechó não é exceção – é consequência direta de uma moda pensada para o longo prazo.

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Ao contrário do que muita gente ainda imagina, brechó não é território de dúvida, mas de oportunidade. O second hand democratiza o acesso, principalmente quando falamos de marcas de luxo!

É também por isso que o seu olhar precisa ser mais afiado! Quando uma peça muda de guarda-roupa, entender sua origem, construção e autenticidade se torna parte essencial da experiência. E é aqui que esse guia se torna indispensável: saber reconhecer quando uma peça de grife é original não é apenas sobre evitar falsificações, mas sobre consumir moda com consciência e segurança!

Como verificar a autenticidade das peças de grife

Peça de grife não é só etiqueta, é identidade visual

Marcas de grife constroem universos próprios. Chanel, Prada, Gucci, Dior, Burberry, Saint Laurent, Bottega Veneta, Loewe… cada uma tem códigos claros, mesmo passando por diferentes direções criativas. Silhuetas, cartela de cores, tipos de tecidos, proporções e até o jeito como uma peça “conversa” com o corpo seguem uma lógica bem definida.

Quando uma peça é original, ela se encaixa naturalmente dentro desse universo. Um blazer da Saint Laurent tem ombros e estrutura muito específicos, assim como um trench coat da Burberry carrega uma herança estética que aparece no corte, no tecido e no jeito que ele cai, não só no xadrez. Se algo parece deslocado demais em relação à história da marca, aquele alerta interno costuma estar certo!

O caimento entrega o que o logo não consegue esconder

Uma das maiores diferenças entre uma peça de grife original e uma falsificação está no caimento. Grifes pensam modelagem com obsessão. Nada sobra, nada aperta sem motivo, nada parece improvisado. A roupa acompanha o corpo, cria linhas bonitas em movimento e mantém a silhueta pensada mesmo depois de horas de uso. Isso vale para tudo: desde um jeans simples até uma bolsa feita à mão. Mesmo quando a proposta é oversized, despojada ou casual, existe intenção!

Tecidos e materiais dizem muito sobre autenticidade

Moda de grife é, antes de tudo, material. Seda, lã, algodão, couro, viscose, cashmere… o que muda não é só a matéria-prima, mas a forma como ela é trabalhada. Tecidos têm peso, toque e fluidez específicos. Um tricot bem-feito mantém estrutura, um couro de qualidade envelhece bonito… Peças originais dificilmente parecem frágeis demais ou artificiais. Mesmo quando leves, passam sensação de qualidade e durabilidade. É aquele tipo de roupa que você pega e entende, sem precisar pensar muito, por que ela custa o que custa.

Acabamento é onde a grife mostra quem é

Se existe um lugar onde marcas de luxo não economizam, é no acabamento. Costuras são regulares, limpas, firmes. Barras têm o peso correto. Casas de botão são bem estruturadas. O avesso da peça recebe praticamente o mesmo cuidado da parte externa, afinal, detalhes que quase ninguém vê são justamente os que mais denunciam quando algo não é original. Peças falsas se esforçam para parecerem bonitas à primeira vista, mas falham quando você observa com calma.

Etiqueta, código e informações internas precisam fazer sentido

Etiquetas ajudam, sim, mas nunca sozinhas. Fontes, espaçamento, material da etiqueta, idioma e informações seguem padrões muito específicos em cada marca. Erros de grafia, logos distorcidos ou informações confusas não combinam com grifes! Lembre-se: os detalhes, mesmo os que parecem invisíveis, recebem o mesmo cuidado e obsessão com a perfeição que a peça em si.

Códigos internos, números de série e etiquetas adicionais existem, mas devem ser interpretadas com contexto. Elas precisam fazer sentido dentro da coleção, do período e do modelo da peça! Grife trabalha com consistência ao longo do tempo, mesmo quando muda de estética.

O que observar em cada marca

Depois de entender os sinais gerais que diferenciam uma peça de grife original de uma réplica, vamos um passo além: Cada marca de luxo constrói sua identidade a partir de detalhes próprios, que aparecem no material, na modelagem, nas costuras, mas principalmente criando mecanismos que tornam a peça única.

É verdade que a grande maioria das marcas de grife colocam seus produtos à venda com números de séries impressos em etiquetas, cartões de autentificação ou mesmo garantias. Mas no universo second hand, essas coisas podem ser perder e – infelizmente, não é possível confiar exclusivamente nesses detalhes.

Além disso, mesmo que o número de série esteja vísivel, boa parte das maisons não disponibilizam sistemas de autentificação. Você vai entender melhor abaixo:

Armani

Lá em 2018, a Armani adotou uma solução para Proteção da Marca (válido tanto para a Emporio Armani quanto para a EA7, e que será estendido para as outras marcas da empresa): o Certilogo. É um código de identificação, acessível na internet, capaz de verificar a autenticidade de um produto.

→ Você pode consultar a autenticidade dos seus produtos Armani clicando aqui!

Balenciaga

Em peças Balenciaga, especialmente jaquetas, bolsas e acessórios de couro, a autenticidade aparece muito no material. O couro tem aspecto mais “vívido”, com textura macia e aparência naturalmente desgastada, algo que melhora com o tempo, nunca o contrário. A alça de ombro não deve ter nenhuma parte solta, além de ter a costura perfeita. Ferragens seguem uma lógica robusta, com formato arredondado e peso perceptível. Zíperes geralmente são de fabricantes tradicionais de alta qualidade e o acabamento nunca parece frágil ou afiado demais.

Assim como a Armani, a Balenciaga também tem números do modelo da bolsa (impressos na frente ou no verso da etiqueta e, às vezes, em ambos os lados), mas não possuí um sistema oficial de autentificação.

Bottega Veneta

Na Bottega Veneta, a ausência de logo é justamente o teste mais difícil para falsificações. O couro trançado, conhecido como intrecciato, tem padrão preciso, sem folgas, desalinhamentos ou diferenças de espessura. O material é macio, mas estruturado, e todos os metais seguem o mesmo acabamento e tonalidade. Uma peça original nunca parece rígida demais nem artificialmente perfeita.

Mas existem outras 3 formas de você identificar uma bolsa original Bottega Veneta:

  1. A Bottega só utiliza zíperes da marca Riri e você pode identificá-la na parte interna do zíper;
  2. O número de série da peça estará impresso em uma etiqueta estreita, semelhante a papel, costurada no forro. Essa etiqueta inclui o logo da Bottega Veneta de um lado e, no verso, um código único impresso;
  3. A etiqueta interna possui borda bruta, sem acabamento.

Chanel

A Chanel não divulga oficialmente como identificar peças originais ou falsificadas, sob o argumento de que não pode “fornecer ao público informações detalhadas sobre como identificar produtos CHANEL genuínos, pois essas informações podem ser usadas pelos falsificadores. No entanto, a regra principal, mais uma vez, é que, se o negócio parecer bom demais para ser verdade, provavelmente você está diante de uma venda de falsificação. Isso pode ocorrer em lojas físicas e na Internet.”

(E você pode checar isso no próprio site da Chanel clicando aqui!)

Mas, ainda assim, há detalhes que não passam despercebidos em peças Chanel:

Primeiro, a Chanel é extremamente rigorosa em proporção e simetria. Em roupas de tweed, o encaixe de padronagens é milimétrico. Em bolsas e acessórios, o matelassê se alinha perfeitamente entre corpo e abas.

Ferragens têm peso, brilho controlado e acabamento sofisticado.

O logo segue regras específicas de espaçamento e encaixe, e o interior da peça costuma ser tão bem alinhado quanto o exterior.

Além disso, o número de série (disponível na etiqueta dentro da bolsa) e o número do cartão de autenticidade devem ser o mesmo!

Coach

O primeiro lugar para procurar o número de série da Coach é na etiqueta com o logo da marca! Geralmente, a etiqueta de couro dentro da bolsa que também apresenta um pequeno texto sobre a marca, os materiais da bolsa ou, às vezes, até mesmo algo especial sobre o modelo da bolsa em que se encontra. Em bolsas mais antigas, o logo era estampado diretamente no couro.

No entanto, às vezes, você encontrará uma bolsa Coach com uma etiqueta de identificação que não possui nenhum número. Nesses casos, a recomendação é procurar com um pouco mais de afinco para encontrá-lo. E em outros casos, como em carteiras ou porta-cartões pequenos, não existem números de série.

Em todos os casos, a originalidade será comprovada com base na qualidade dos materiais e nos detalhes como costuras, ferragens e logo, como mencionamos anteriormente.

Você pode consultar o que os números de série de uma peça Coach significam clicando aqui!

Diesel

Assim como a Armani, a Diesel adotou o certilogo como medida de autenticidade de seus produtos – disponível em todas as peças jeans fabricadas desde a coleção de Primavera/Verão de 2017 e, a partir de 2021, para todas as peças.

A etiqueta desses produtos receberam um QR code e um código numérico de 12 dígitos, que constituem a identidade digital do produto. E você pode verificar a autenticidade, fazendo leitura do QR code com um smartphone ou colocando a sequência numérica no site disponível abaixo.

→ Você pode consultar a autenticidade dos seus produtos Diesel clicando aqui!

Dior

Na Dior, o grande diferencial está na estrutura. Vestidos, blazers e saias têm cortes precisos, silhuetas bem definidas e caimento pensado para valorizar o corpo. Tecidos são nobres e o acabamento interno acompanha a sofisticação externa.

Etiquetas e códigos podem ser encontrados costurados na parte interna das peças e o número de série segue essa ordem: dois números, duas letras, quarto números, separadas por um traço. Vale dizer que, em alguns modelos de linhas especiais, isso pode mudar.

As bolsas da Dior possuem uma etiqueta interna de couro – que, se original, é da mesma cor e textura da peça. Outro ponto de atenção é o logo Christian Dior: “Paris” e “Made in Italy”, são sempre em tinta metálica, da mesma cor das ferragens da bolsa ou em relevo.

Fendi

A Fendi é extremamente cuidadosa com seus padrões visuais. O clássico logo FF segue alinhamento rigoroso e nunca se sobrepõe ou se distorce. Ferragens são bem acabadas, simétricas e com gravações nítidas.

O número de série das peças Fendi geralmente é gravado em relevo em uma pequena etiqueta de couro ou tecido e pode ser localizado no bolso interno ou perto do zíper. Cada peça da Fendi vem com um certificado de autenticidade que acompanha o item. Mas, assim como outras maisons, ela também não disponibiliza um método de autentificação e é necessário avaliar a qualidade da peça.

Gucci

Autenticidade na Gucci passa por reconhecer o momento criativo da marca, já que estampas e cores variam conforme a fase, mas todas as peças sempre mantêm consistência na qualidade.

O monograma GG é sempre simétrico, bem definido e equilibrado visualmente. O couro de uma bolsa Gucci, por exemplo, é sempre perfeito e com costuras alinhadas. As ferragens usadas nos produtos Gucci são pesadas e, normalmente, possuem o logo da marca gravado nelas. 

Guess

A Guess opta por deixar público e bem claro no seu site (mesmo na versão brasileira) o que precisa ser levado em conta ao verificar a originalidade de um de seus produtos:

  1. Observe o acabamento;
  2. Análise a parte interna (no caso de bolsas);
  3. Teste os zíperes.

Você pode consultar as dicas para verificar a autenticidade de uma peça Guess clicando aqui!

Hugo Boss

Hugo Boss trabalha uma estética limpa, moderna e extremamente funcional. Peças originais usam tecidos de alta qualidade, muitos deles técnicos, pensados para conforto e durabilidade. E botões, zíperes e acabamentos costumam ser personalizados e bem fixados. O caimento é estruturado e as etiquetas internas seguem organização visual precisa.

É claro que, assim como em outras marcas, a Hugo Boss se solidifica nos detalhes. No próprio site oficial da marca, eles reforçam que “os falsificadores cometem frequentemente erros nos detalhes dos produtos. Costuras medíocres, erros ortográficos ou erros no logótipo são muitas vezes uma indicação de falsificação.”

Jimmy Choo

No caso da Jimmy Choo, em que a especialidade são os sapatos de salto, a melhor maneira de verificar a autenticidade é na sola: geralmente as falsificações têm a gravação muito superficial.

Além disso, as etiquetas costuradas utilizam fios densos e grossos, diferente das peças falsas que, geralmente, têm costura muito final.

A Jimmy Choo aposta em ferragens pesadas, bem centradas e com gravações limpas. A tipografia da marca é sempre uniforme, em letras maiúsculas bem proporcionadas. Fechos, cristais e metais são sempre da melhor qualidade e nunca parecem frágeis.

JW Pei

A autenticidade da JW Pei aparece no equilíbrio entre linhas simples e estrutura bem pensada, o material, embora sintético, tem acabamento uniforme e aparência sofisticada, nunca plástica demais. As costuras são sempre alinhadas e, internamente, bolsas da JW Pei têm um selo interno em relevo, placa metálica ou gravação a calor.

Louis Vuitton

A Louis Vuitton, infelizmente, é uma das marcas que gera mais desconfiança de autenticidade, pois é uma das grifes de luxo que mais luta contra falsificações. É claro que, como em todas as marcas mencionadas até aqui, os pequenos detalhes como tipo de material, fechos, costuras e códigos de autenticidade são os maiores indicativos que diferenciam as peças falsas das originais.

Ao invés de números de série tradicionais, a Louis Vuitton utiliza códigos de data que indicam local e período de fabricação e eles podem estar localizados em diferentes partes da peça. Além disso, o famoso monograma segue uma simetria rígida!

Uma ex-funcionária da Louis Vuitton disse, em entrevista, que o que denuncia imediatamente uma bolsa falsificada é a cor da peça: “Há uma riqueza de cores na bolsa real que não parece óbvia à primeira vista, mas depois de comparar os materiais, você pode perceber a diferença com certeza”. Além disso, as costuras têm número igual de pontos de cada lado e o couro natural cria pátina com o tempo, nunca o contrário.

Marc Jacobs

3 passos simples para verificar a autenticidade da sua bolsa Marc Jacobs:

  1. Analise a marca e os logotipos;
    A primeira coisa a observar é a identidade visual externa. Marc Jacobs é conhecido por sua tipografia nítida e perfeitamente alinhada.
  2. Inspecione as ferragens e os zíperes;
    As bolsas de luxo de Marc Jacobs utilizam ferragens de alta resistência.
  3. Verifique a costura e o material;
    As bolsas Marc Jacobs são fabricadas nas mesmas fábricas de alta qualidade que fornecem para as principais casas de moda do mundo.

Algumas peças Marc Jacobs podem conter etiqueta “Made in China”, mas isso não é um alerta vermelho! Embora muitos artigos de luxo sejam fabricados na Itália ou na França, atualmente a Marc Jacobs produz muitas de suas linhas (como a Snapshot e a Tote Bag) na China e no Vietnã. A etiqueta “Made in” não significa que o produto é falso; o que importa é a 
qualidade da etiqueta.

Moschino

Moschino é conhecida pelo uso explícito do logo, mas com execução impecável. Estampas são sempre bem definidas, bordados e aplicações firmes, e a tipografia segue um padrão visual muito específico.

Em sapatos da marca, a palmilha é personalizada com o logo aplicado com o mesmo cuidado que em uma bolsa; as solas são pesadas, feitas para durar.

Já em roupas da Moschino, a etiqueta é sempre costurada e traz informações de lavagem e conservação em diferentes idiomas.

Salvatore Ferragamo

A Ferragamo é sinônimo de elegância discreta. A autenticidade aparece principalmente no couro, com toque macio e acabamento impecável. As ferragens são pesadas e discretas, e o interior das peças recebe o mesmo cuidado do exterior, refletindo a tradição artesanal da marca.

E de todas as marcas mencionadas até aqui, talvez ela seja a que mais se garante no quesito qualidade.

Um dia, um artesão decidiu criar conteúdo sobre bolsas de luxo na internet: que consistia em comprar e destruir as peças para mostrar a qualidade para o público, avaliando o acabamento das peças, qualidade do material, preço e por aí vai. Depois de um tempo, a Ferragamo decidiu simplesmente enviar um dos seus lançamentos com um convite ao artesão: destrua a nossa peça.

E assim ele o fez. O resultado você pode conferir nesse vídeo!

Autenticidade é repertório, não desconfiança

No fim, identificar se uma peça de grife é original não tem nada haver sobre paranoia! Quanto mais você observa, experimenta, pesquisa e consome moda com intenção, mais natural esse reconhecimento se torna. Mas saber onde comprar também ajuda – e muito.

O Repassa brechó, por exemplo, realiza uma avaliação criteriosa em todas as peças enviadas para a venda, checando desde qualidade até estado de conservação de cada peça. Afinal, a autenticidade é, também, sobre confiança e segurança!

Garimpe sua peça de luxo no Repassa Brechó


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