Guia Prático sobre como encontrar uma tendência de moda

Por: Ana Paula Porto

Vai tendência e vem tendência e, como consumidores e consumidoras, tendemos (com perdão do trocadilho) a acompanhar cada uma delas tão rapidamente quanto um piscar de olhos. Afinal, a moda é quem dita as tendências que devemos ou não usar. Mas será mesmo?  

Quando falamos de consumo consciente na essência, lembramos que é aquele tipo de compra em que se avalia a real necessidade. No caso de consumo de vestuário, são as possibilidades de uso; o investimento adequado; e, claro, os reflexos que são dados à sociedade e ao meio ambiente, tais como: aumento do tempo de vida útil da peça e retorno positivo à toda cadeia de produção. 

Com isso, também podemos pensar nos ciclos frequentes das principais tendências de moda – ou mesmo, aquelas que não saem do nosso corpo e nem das passarelas. Chamadas de atemporais, como carregam no próprio nome, são perpetuadas pela facilidade de combinações e por manterem o estilo “de moda atual” em qualquer momento do ano. 

Por outro lado, reinventar e repaginar looks também podem ser outras formas de criar uma tendência. Ou melhor, sentir que está realmente vestindo uma tendência que combine com seu estilo de vida. Somado a isso, as compras (ou garimpos) nos brechós trazem a possibilidade de vestir o que não se vê nas vitrines por aí. Quase que uma tendência única.

Para trazer luz a esta e outras reflexões, convidamos a Rebeca Foggetti, fashion stylist do Repassa, em um bate papo leve e direto sobre como encontrar uma tendência de moda. Abaixo, você pode conhecer um pouco mais da Rê e conferir a entrevista completa logo a seguir. 

Rê, escutamos muito sobre tendências no mundo da moda, beleza, decoração. Mas traduz para nós, por favor, como algo se torna uma tendência? 

Para definirmos o que é uma tendência, precisamos estar de olho nos sinais de todo o meio em que vivemos. Afinal, uma tendência nada mais é do que um comportamento. E isso tem a ver com as mudanças – desde as mínimas, como estações do ano; até as mais significativas, como grandes movimentos socioculturais e a pandemia em que estamos. 

A pandemia em si é um ótimo exemplo de mudança na sociedade, que trouxe consigo muitas tendências que não poderiam ter sido previstas por especialistas.  Desde o tipo de corte de cabelo (sendo possível realizar em casa) até os novos aplicativos que começamos a usar, como o Tik Tok. 

E como elas surgem, especialmente, na moda? Existe alguma “regra” para que possam virar tendências reais e aprovadas pela sociedade? 

Na moda, as tendências muitas vezes são comportamentos previstos por estudiosos da área, como os próprios estilistas ou até os chamados “fashion buyers”, que são os compradores. Sempre há uma pesquisa antes de qualquer coleção sair do papel com o intuito de sentir onde o público está com carência e/ou onde está saturado.  

Não há alguma regra em específico para que algo vire tendência – até porque não são necessariamente os representantes da moda que ditam o que é bonito e o que não; e sim as pessoas. O que as marcas costumam fazer é implementar uma nova forma de usar determinado tipo de roupa; tipo de corte de cabelo e afins; para, aos poucos, as pessoas começarem a se acostumarem (e serem agradadas) com o que foi sugerido. Se depois de todo esse processo algo não foi aceito pelo público, muito dificilmente será tendência. 

Somos bombardeados por informações o tempo todo e quantas vezes já não dissemos pra nós mesmos “que roupa nada a ver, nunca vou usar!”, e depois de tanto ver pessoas que você admira usando, você se pega tendo o “desejo” por aquela peça? 

É possível descobrir o caminho ideal sobre como pesquisar (e encontrar) uma verdadeira tendência de moda? 

Infelizmente, não há nenhum manual nos mostrando o caminho ideal sobre como pesquisar e encontrar tendência de moda. Apenas o famoso “esteja por dentro”. Se algo nos interessa, devemos ir atrás de informações, ficar ligado no que está acontecendo no mundo. As maiores tendências na moda aconteceram em momentos importantes do mundo, como guerras, movimentos feministas e a pandemia em si.  

Então, a minha dica para quem quer ir bem à fundo é: procure entender o porquê dos comportamentos de cada momento, bem no detalhe mesmo. Agora para quem quer descobrir o que usar em tal estação do ano ou similar, com certeza, é acompanhar desfiles e redes sociais de marcas e influenciadores que você se identifica. Mas isso não significa ter que comprar na marca e sim entender o que eles estão trazendo como proposta de tendência. 

Agora sobre as tendências atemporais que tanto ouvimos no mercado de roupas de segunda mão. Consegue nos exemplificar algumas principais? E por que não abrir mão delas? 

Honestamente, as tendências atemporais são as que eu mais gosto e tendo a trazer cada vez mais para os meus looks. Para mim, as peças que traduzem as tendências atemporais são camisas, calças e jaquetas jeans. Mas nada colado. São as camisetas larguinhas, calça de alfaiataria – também conhecidas como social -, uma jaqueta de couro (de preferência sintética, a natureza e os animaizinhos agradecem), um [tênis] all-star e lenços! Todas essas – com exceção dos jeans – nas cores mais básicas, como pretas, brancas, cinzas, azuis… sem ou quase nada de estampa. Assim fica muito mais fácil de combinar com tudo do seu armário.  

Acho genial a ideia de possuir algo que você vai conseguir usar em diferentes ocasiões e climas, mudando apenas a composição. É uma mão na roda para quem não tem muito tempo ou paciência, o que é o meu caso, para se produzir. É muito versátil, por isso não abro mão de jeito nenhum! 

Os brechós costumam ser o melhor lugar para encontrar estas peças que são tendências hoje e sempre. Você concorda? Como pensar nisso na hora de garimpar? 

Concordo plenamente com essa afirmação (risos). Você sempre vai encontrar peças da minha listinha acima em brechós, principalmente no Repassa, em que todo dia são adicionadas mais ou menos 5 mil peças.  

Ao decidir comprar em brechó, você tem dois caminhos: ou ir com algo em mente, como referências de um estilo especifico, ou você realmente está aberto a encontrar as mais diferentes roupas (e se apaixonar pela maioria!). Então, defina seu objetivo antes e simplesmente relaxe para aproveitar esse momento único que os brechós proporcionam. 

Para finalizar, qual dica você daria para quem está procurando uma tendência para chamar de sua? 

Um ditado que eu gosto muito diz assim: “vista a roupa, não deixe a roupa te vestir”. Acredito que nós que fazemos a roupa ser o que ela é. Se nos vestirmos de algo que não é nada a nossa cara, que não estamos confortáveis e não estamos nos achando o máximo com ela, então talvez aquela não seja a sua tendência. E tá tudo bem!   

O mais importante, antes de tudo, é saber quem você é e se jogar nisso. Assuma seus gostos e vista eles com orgulho. Afinal, ninguém pode saber mais do seu estilo próprio do que você mesma. Desse jeito, você vai estar sempre na moda, na sua moda! 

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