
Um musical e eu
#2
Ser adulto tem suas vantagens. Isso, claro, se ignorarmos a parte de pagar contas, fazer a própria comida, marcar consultas médicas ou lavar a louça do café da manhã e do almoço, que já se acumulou para o jantar. O que é legal é poder realizar sonhos de infância. No meu caso, sempre gostei muito de música, então me sinto muito realizada ao poder pagar para assistir a shows de bandas e artistas que gosto, ou musicais.
Claro que o “poder pagar” é relativo, já que pode envolver nome sujo e Serasa, mas isso é uma luta que deixo para a eu do futuro.

A emoção de assistir a um show que você queria ir com 13 anos, quando se é adulta, é totalmente diferente. É a sensação da nostalgia, de realizar o sonho da pequena Rafa emo, com seu all star cano alto rosa e preto, pulseiras que cobriam metade do braço e usando um anel em cada dedo.

Eu poderia passar parágrafos aqui falando detalhes de todos os shows que fui e que marcaram a minha época adolescente. Ou sobre o quanto chorei assistindo a Anastasia, e que uso até hoje o balde estampado da peça para comer minha pipoca no dia a dia.
Mas vou focar no mais recente. Que não foi um show, mas um musical, que juntou a pequena eu, leitora de fanfics que queria ser escritora, com a grande eu, que vive o dia todo em planilhas e relatórios, números e porcentagens.
Nesse momento, está em cartaz em SP, no Teatro Renault, o musical Hairspray. E eu simplesmente não consigo colocar em palavras o quanto amo esse filme, ou até contar quantas vezes já assisti.
A música “Without Love” não falta nas minhas playlists nem nas noites de karaokê com a minha amiga. No título, inclusive, tentei fazer uma alusão à música “Baltimore and Me”, rs.
Tirando a peça em si, que está maravilhosa, assistir a esse espetáculo foi um momento feliz para mim. Porque não só fui com minha melhor amiga, como também estava com o que chamo de “dream team”, que nada menos são minhas amigas do trabalho. E não poderia haver conexão maior do que essa para unir a infância com a vida adulta.
Mais do que assistir a espetáculos musicais, eu amo estar neles com pessoas que são importantes para mim. Poder compartilhar as risadas, as palmas e os choros. Não é uma memória só minha; ela é dividida, e quando é assim, fica muito mais especial.
Esses momentos lembram que nunca devemos perder a conexão com o que nos faz feliz.
Você lembra a primeira vez que ouviu a sua banda preferida?
#1
Rock in Rio começou no último final de semana e, com ele, chega o momento de histórias serem escritas ou revisitadas.
Pra quem vai, é hora de torcer pra não chover, mas também não fazer muito sol porque ninguém se lembra de passar protetor. E quem vai assistir de casa, é hora de torcer pro seu artista preferido liberar a exibição do show. No Twitter, (in memoriam) as reclamações de “rock in rio sem rock” já estariam nos trends há pelo menos 2 semanas.
E tudo isso para contextualizar que o tema da minha coluna é música. Mas sendo bem sincera? Não sei o quanto de música vou conseguir falar.

O título do texto de hoje veio depois de uma cena de One Tree Hill, em que alguém faz essa mesma pergunta para a Peyton (e sobre OTH, vamos deixar o assunto para outro dia). Me peguei pensando em momentos que a música me marcou ou funcionou como um evento canônico na minha vida…
Muitas vezes ela traz uma conexão nostálgica com algo bom vivido na infância. Eu, por exemplo, lembro de ouvir Bicycle do Queen com meu pai na Caravan Café, lá nos insanos anos 90, enquanto esperávamos minha mãe resolver alguma coisa em algum lugar.
E foi daí que veio minha paixão pela banda – e o sonho realizado no Rock in Rio 2015 que pude ver Queen + Adam Lambert. Inclusive, escrevendo esse texto percebi que não tenho uma mísera foto ou vídeo do show, provavelmente por estar chorando tanto que não tive condições de fazer nada.

Respondendo a minha própria pergunta: Eu lembro quando conheci algumas das minhas bandas favoritas, mas não vou mentir falando que lembro da primeira música. Posso dizer que me lembro do “sentimento do começo”, entendendo o que algumas letras representavam pra mim e o começar da conexão com o que estava ouvindo.
Quando eu preciso me acalmar, seja de alguma crise da TAG (transtorno de ansiedade generalizada) ou de algum estresse momentâneo, eu ouço em looping o álbum LIVING THINGS do Linkin Park (música calma para relaxar não é comigo).
Quando eu estou muito feliz e quero expandir esse sentimento, posso ouvir a trilha sonora de Hairspray ou “This is One Direction” no Spotify.
Quando quero escutar alguma coisa que vou saber cantar tudo de cor e salteado de trás pra frente de frente pra trás, é play em McFly ou a trilha em inglês de Encanto (sim, o filme da Disney mesmo).
Até meu comfort movie é musical, The Greatest Showman.
Música é arte e a interpretação da arte é única, pessoal e intransferível.
Pode ser marcado por algo bom ou ruim, pode ser entendida de um jeito por mim e de outro pela minha amiga Bia que mudou pro Canadá. Mas uma coisa é fato, ela precisa existir para que a gente exista.
Pode não ser uma necessidade básica como oxigênio, mas é importante que o ritmo, as palavras cantadas e o sentimento escrito existam para quem escuta e para quem as faz. Música carrega história, carrega cultura e identidade.
Você que leu até aqui meus devaneios, sugiro refletir um pouco sobre os impactos da música em você. E mais importante ainda, sugiro sair para cantar em algum karaokê com os amigos a música A Lenda.
Fun Fact que ninguém pediu: meu show preferido de todos foi da Sandy e Junior na turnê Nossa História e tenho orgulho disso. E o seu, qual foi?
Até logo,
Rafaela.
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